
Durante a 84ª Sessão Plenária do Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), o Juiz Federal Marcelo Honorato Marcelo apresentou uma nova ferramenta para avaliação da cultura de segurança e debateu os limites da Cultura Justa. O evento ocorreu na sede do Centro de Investigação e Prevenção de
Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), em Brasília, no dia 14 de maio de 2026. O que destaco nessa ferramenta: . Uma Ferramenta Inovadora: Introdução de um mecanismo do CENIPA focado em medir, conhecer e aperfeiçoar a cultura de segurança operacional de forma precisa.
. O Impacto no Setor: O recurso visa dar melhores condições para que áreas safety de empresas aéreas, aeroportos e escolas de aviação fomentem a segurança com mais eficácia.
E porque é importante a ABRAPAVAA falar sobre cultura de segurança x cultura justa?
A ABRAPAVAA, estava presente no momento da apresentação do Dr.Honorato e, como integrante do Comitê – CNPAA, podemos não só falar sobre cultura de segurança vs. cultura justa — precisamos!
A ABRAPAVAA afirma, com base na experiência de quem convive com as consequências irreversíveis dos acidentes, que o silêncio é um dos maiores fatores de risco na aviação.
Muitos acidentes poderiam ter sido evitados. Sinais estavam presentes. Alertas foram percebidos. Fragilidades eram conhecidas.
A preocupação é legitima baseada em fatos – não à toa temos um triste resultado histórico de 27 acidentes aéreos somente em janeiro de 2026. E pior… a estatística de 1 acidente aéreo a cada dois dias permanece sem perspectivas de melhora. Lamentável num país onde temos a maior frota de helicópteros do mundo, a 2ª.maior frota de aviação geral e executiva do mundo e a 2ª.maior frota de aeronaves agrícolas do mundo, fica difícil “juntar” esse orgulho de tais números versus falta de segurança de voo. Algo não bate!!!
Mas o que isso demonstra? Demonstra que a maioria dos acidentes aéreos nasce num ambiente onde:
A ABRAPAVAA tem legitimidade única para dizer algo que operadores, empresas e reguladores muitas vezes evitam:
“Alguém sabia. Alguém percebeu. Mas o sistema não permitiu que isso se tornasse uma ação.”
Famílias de vítimas carregam histórias de: . alertas ignorados . falhas recorrentes não tratadas . decisões sob pressão
Sempre que um acidente aéreo acontece, a reação é quase automática: encontrar um culpado. Um piloto. Um mecânico. Um controlador. Alguém que possa carregar, sozinho, o peso de uma tragédia que, na maioria das vezes, começou muito antes do erro final.
Entendemos que a cultura justa é a capacidade de diferenciar: – o erro humano, que deve ser compreendido e tratado pelo sistema – da negligência ou da conduta intencional, que deve ser responsabilizada com rigor
Sem essa distinção, o que se instala não é justiça — é medo. E o medo é o maior inimigo da segurança operacional.
A aviação internacional já entendeu isso há décadas. Sistemas maduros de segurança não são construídos sobre punição, mas sobre aprendizado contínuo, transparência e confiança.
No Brasil, ainda resistimos. Ainda confundimos erro com culpa. Ainda tratamos consequências sem enfrentar causas. Ainda insistimos em respostas rápidas para problemas complexos. E enquanto isso, repetimos padrões.
Um sistema que reage após a tragédia — ou um sistema que aprende antes dela?
A ABRAPAVAA seguirá atuando para que essa escolha seja feita com responsabilidade, coragem e compromisso com a vida.
Compartilho abaixo o link de acesso a ferramenta apresentada pelo Dr.Honorato. Vale a leitura e sua aplicação para aqueles que validam e acreditam na cultura justa x cultura de segurança.
https://drive.google.com/file/d/1LOTQirMY_-nUWYWJeFym8umwTBvoQLm9/view?usp=sharing
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