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Justiça pelo Voo AF447: Condenação de Airbus e Air France marca os 17 anos da tragédia

Justiça pelo Voo AF447: Condenação de Airbus e Air France marca os 17 anos da tragédia

VOO AF447 – A DOR – O TEMPO – A RESPOSTA:
Justiça francesa condena Airbus e Air France por tragédia que matou 228 pessoas em 2009

Para os familiares das vítimas do voo Voo AF 447, da Air France, em 1º de junho de 2009, com 228 vítimas fatais, a condenação da Airbus e da Air France pela Justiça francesa vai muito além de uma decisão jurídica. Ela carrega um peso profundamente humano e reparador.

A ABRAPAVAA conviveu muito proximamente com os familiares desde o acidente. Infelizmente, a Resposta a Emergência e a Assistência aos Familiares foi um dos piores exemplos que a ABRAPAVAA já presenciou – foram erros, procedimentos e ausência de iniciativas que tornaram todo o processo catastrófico. Estivemos em Paris à época, a pedido das famílias, para colaborar com a elaboração e a fundação da Associação dos Familiares e Vítimas do voo AF-447 – a AFAV 447.

Por quase 2 décadas, essas famílias viveram com a sensação de abandono. Sim, essa era a sensação.

Sabemos o quanto uma decisão como a de hoje comprova a importância da união e determinação das famílias na busca por uma resposta justa e reconhecidamente respeitosa.

Uma condenação judicial representa o reconhecimento formal de que houve falhas. Não foi “uma fatalidade”. De – tragédia inevitável para – tragédia com responsabilidades identificadas.

Os familiares do AF447 enfrentaram anos de investigações complexas, inúmeras versões conflitantes, demora na resposta e assistência e processos judiciais longos e extremamente desgastantes.

A condenação de hoje valida essa determinação. É o Estado dizendo: “vocês tinham razão em buscar respostas.”

Sabemos que nenhuma decisão judicial traz de volta as 228 vidas mas, ela cumpre um papel essencial: estabelece responsabilidade, rompe o silêncio institucional e evita a impunidade.

Decisões como a de hoje costumam gerar – revisão de protocolos e treinamentos – mudanças na cultura de segurança e principalmente, mudanças na assistência aos familiares e vitimas que, com certeza, nesse caso em especial, para além do sofrimento extremo das famílias, trouxe um enorme prejuízo a imagem da empresa pela ausência de respostas aos familiares do acidente.

Para muitas famílias, isso representa um tipo de encerramento — ainda que incompleto.

Com a condenação, as vítimas deixam de ser apenas números em um relatório e passam a ser parte de um marco de mudança.

A memória delas passa a ter um propósito: evitar que isso aconteça novamente.

A justiça chegou tarde.
E esse atraso, em si, também faz parte da dor.

Por outro lado, para os familiares, isso tem um significado profundo:
A perda não foi em vão.

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