
Enquanto Presidente da ABRAPAVAA, me manifesto com imensa preocupação e até indignação, diante das recentes notícias sobre os cortes de verbas e orçamento da ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil
Para um melhor entendimento, segue publicação da ANAC, em seu site, no último dia 27
https://www.gov.br/anac/pt-br/noticias/2025/cortes-orcamentarios-nos-servicos-prestados-pela-anac
Como familiar de vítima e que, em sua atividade diária, apoia e orienta familiares de vítimas de acidentes aéreos pelo Brasil, minha maior angústia, chega exatamente na ponta mais difícil e delicada, que é a probabilidade de um novo acidente aéreo diante de tal decisão que implicará (e já está implicando) na Segurança de Voo, uma vez que o referido corte, imposto pelo Decreto 12.477 já está comprometendo desde licenças, exames, inspeções e fiscalizações de campo. Ou seja, a segurança operacional da aviação brasileira — que depende de fiscalização robusta e licenciamento regular — está, com certeza, em risco.
Importantíssimo que recursos sejam enviados para que possa, a Aviação Civil Brasileira, retomar sua segurança operacional que hoje, está exposta a fragilidade diante da falta de recursos e, como sempre digo e reforço – Se acha caro investir em segurança, experimente um acidente! E isso, não diz respeito somente as empresas, aos operadores, pilotos e proprietários, diz sim a ANAC afinal, ela é a responsável por toda a regulação, manutenção, as diretrizes para uma aviação civil segura aqui e por onde opera internacionalmente.
Minha percepção – Assim seguindo, um novo caos e apagão aéreo se avizinham. E o que isso gera? Todos os ingredientes para novos acidentes aéreos.
Sim… porque se você tem uma redução drástica da fiscalização, com as inspeções em operadores, aeronaves, oficinas, aeroclubes e aeroportos, com frequência reduzida — a capacidade fiscalizatória pode cair até 60 % do planejado para 2025, até porque, com menor fiscalização para que se possa identificar falhas para a prevenção, você está possibilitando que uma nova tragédia aconteça.
Com a suspensão das provas teóricas e licenciamento para piloto, mecânico, despachante e instrutor AVSEC por falta de verba, com exames suspensos e atrasos estará “acumulando” um número imenso de profissionais que aguardam oportunidades e a regularização de suas profissões, num mercado crescente que fica paralisado diante da falta de expectativa e um agravante… gerando a possibilidade de um aumento significativo nas operações TACA – sim – Transporte Aéreo Clandestino que hoje, já é extremamente preocupante (falta de fiscalização e operadores atuando de forma ilícita)
Temos frotas que são referências como as maiores no mundo – Aeronaves Agrícolas, Helicopteros e Aviação Executiva e aí pergunto: que orgulho podemos ter se, de quem dependemos para a regulação e principalmente segurança, enfrenta uma crise dessa proporção? E a credibilidade se, ao contrário do necessário, se faz o mínimo?
A angústia da ABRAPAVAA reside na preocupação de um novo acidente aéreo diante da ausência de um serviço eminentemente importante e necessário. Sem uma resposta e reação imediata “a receita para uma nova tragédia já está no forno”
Sandra Assali
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